segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Cartografia e discurso: não somos um país dividido entre norte e sul


R7: Pesquisador Thomas Conti explica o mapa do Brasil que viralizou nas redes sociais

Fonte: Viomundo

publicado em 27 de outubro de 2014 às 19:27
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27/10/2014 às 17h44 (Atualizado em 27/10/2014 às 18h29)

Após onda separatista, mapa de pesquisador viraliza ao indicar que País não está dividido entre PT e PSDB

Gráfico feito por mestrando em história econômica considera proporção de votos nos Estados
por Alvaro Magalhães, do R7

O Brasil não é um País dividido entre Estados petistas e Estados tucanos, mas um território em que eleitores de ambos os partidos convivem em todas as regiões. É isso que mostra o mapa do desempenho eleitoral de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) feito por Thomas Conti, 24 anos, pesquisador de história econômica pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Após receber, via redes sociais, uma série de manifestações preconceituosas, baseadas nos gráficos que mostram a divisão do País considerando apenas o partido vencedor em cada Estado, Conti decidiu fazer e compartilhar um mapa que revelasse a proporção dos votos em cada região.

O resultado é surpreendente. Minas Gerais, por exemplo, onde Dilma obteve pequena vantagem, não aparece mais em vermelho puro; enquanto Goiás, onde Aécio teve também vitória estreita, não aparece em azul puro. Ambos os Estados, onde o eleitorado ficou bastante dividido, pendendo apenas ligeiramente para um ou outro candidato, aparecem quase no mesmo tom de roxo.

O mapa de Conti viralizou tanto pelo Twitter como pelo Facebook. E seu blog recebeu tantas visitas que o servidor caiu.

Confira abaixo, a entrevista concedida pelo pesquisador ao R7:

R7 — Como surgiu a ideia de fazer o mapa?
Thomas Conti — A ideia surgiu como reação à quantidade enorme de declarações com discurso de ódio no Facebook e no Twitter na noite de ontem. Imaginei que muitas pessoas que propagavam isso estivessem desinformadas. Com isso, resolvi montar um gráfico que refletisse em cores com precisão o resultado das urnas.

R7 — Por que o mapa que você desenvolveu representa melhor o resultado eleitoral do que os gráficos feitos apenas em vermelho e azul?
Conti — Porque o Brasil não possui um sistema como o americano, de voto distrital, onde a maioria de votos garante todos os votos de um colegiado. Aqui ganha quem tem mais votos em números absolutos. E a realidade é que dezenas de milhões de pessoas votaram contra Dilma no Nordeste e dezenas de milhões votaram contra Aécio no Sudeste. Pintar de duas cores chapadas cria falsos estereótipos que não condizem com as urnas.

R7 — Por meio de que redes sociais você recebeu as mensagens preconceituosas que o motivaram?
Conti — Facebook e Twitter, principalmente. Ouvi dizer que as piores mensagens estavam no WhatsApp, mas tive sorte e não recebi nenhuma. Depois que meu mapa viralizou, comecei a receber xingamentos nos comentários e por mensagem particular, também. Acontece. Foi contra esse tipo de pensamento que trabalhei, então fico feliz de saber que preconceituosos ficaram incomodados com a realidade.

R7 — Que tipo de ameaças sofreu?
Conti — Ameaças físicas, xingamentos, etc. Nada que quem participa do debate público da internet não esteja acostumado.

R7 — Esperava a repercussão? Já havia postado algo com tamanha repercussão?
Conti — Não esperava uma repercussão como essa. Achava que no máximo amigos próximos compartilhariam, mas não mais que isso. Repercussão como essa? Nunca! Um post do meu blog já teve 2 mil “compartilhar” e eu achei muito. E não é nem um décimo dessa de hoje!

R7 — Você consegue identificar a partir de quando o mapa se tornou viral?
Conti — Acompanhei de perto ontem e foi no boca a boca mesmo! Em menos de uma hora já tinha mais de 100 “compartilhar” sem ter alcançado nenhum grande portal, e a partir daí cresceu ainda mais rápido. Como era de madrugada, só hoje diversos sites maiores começaram a ajudar na divulgação.

R7 — Como, tecnicamente, você fez o mapa?
Conti — Usei um recurso do Excel [programa de planilhas] que permite colorir automaticamente tabelas conforme uma escala de cores, basta fornecer as cores do mínimo e máximo. Usando o mesmo vermelho e o mesmo azul para os dois gráficos, o programa preencheu as cores intermediárias e resultou na tabela da direita. Depois foi só usar um editor de imagens comum para colorir cada Estado conforme a tabela, usando a ferramenta do conta-gotas.

Ao final da entrevista, Conti questionou a reportagem se poderia deixar uma mensagem. Segue abaixo:

“Nosso País tem menos de 30 anos de democracia sem ser interrompido por uma ditadura militar. É fundamental que continuemos a conscientização democrática a todo momento, não apenas no período eleitoral. Nesse novo Brasil democrático não há espaço para discursos de ódio: quanto antes conseguirmos superá-los, melhor para o País!”

***


enquanto isso, circulam coisas como...


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

TV Globo nos anos 1990 e antes: o clássico "Muito além do Cidadão Kane"

Famoso documentário da BBC de Londres produzido em 1993 e que teve sua primeira exibição pública no Brasil - no MIS, em São Paulo - proibida pelo governo do estado a 10 minutos de começar. Multiplicaram-se cópias em vídeo na ocasião.

Mais informações na Wikipedia.
Trailer:






Assista aqui a versão completa do documentário.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Grades semânticas

Circunscrição do dado:

vídeo de 5' 7''  sobre manifestações nas eleições 2014

Ambos em Belo Horizonte, ato pró-Dilma em 18 de outubro e ato pró-Aécio em 19 de outubro
O primeiro, pró-Dilma, foi realizado no dia 18 de outubro. O outro, pró-Aécio, no dia seguinte - See more at: http://www.ocafezinho.com/2014/10/22/assista-atos-pro-dilma-e-pro-aecio-em-bh/#sthash.AKAjGtiD.dpuf

O primeiro, pró-Dilma, foi realizado no dia 18 de outubro. O outro, pró-Aécio, no dia seguinte - See more at: http://www.ocafezinho.com/2014/10/22/assista-atos-pro-dilma-e-pro-aecio-em-bh/#sthash.AKAjGtiD.dpuf

video

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Como coletar dados sobre intenção de voto?

Pesquisa: faça você mesmo

Escrito por: Luciano Martins Costa
Fonte: Observatório da Imprensa 

Os dois candidatos à Presidência da República interrompem a temporada de agressões e dão uma folga à imprensa. O problema é que o jornalismo precisa de intensidade e, sem o bate-boca que marcou as duas últimas semanas, o noticiário fica meio sem graça.

Viciada na dependência de factoides sob encomenda, a mídia tradicional descobre que já não tem a mesma criatividade de outros tempos. O resultado é esse tédio mortal no noticiário.

Curiosamente, um recurso fartamente utilizado para alimentar os debates nas semanas anteriores parece esquecido pelos editores: o rastreamento (que os marqueteiros chamam de tracking) das pesquisas de intenção de voto desapareceu da cobertura. A última informação de que se tem notícia dava conta de certo “empate técnico” entre as duas candidaturas, em pesquisas feitas por dois diferentes institutos em datas diversas e sob condições que induziriam a esperar alguma mudança no quadro eleitoral.

Na segunda-feira (20), um colunista do Estado de S. Paulo que não deixa dúvida quanto a seu alinhamento partidário costura um texto cauteloso para explicar os desvios das pesquisas: as causas seriam, talvez, erros no enunciado das perguntas, a ordem das questões, pesquisadores mal treinados, em período de aumento da demanda e escassez de tempo e de profissionais qualificados. Também sobra culpa para os eleitores, porque têm o péssimo hábito de mudar de opinião. Mas o mais interessante é que o articulista admite a possibilidade de que parte significativa dos questionários venha sendo preenchida pelos próprios pesquisadores.

A ser confirmada – ou melhor – a menos que seja desmentida liminarmente pelos institutos, essa acusação pode colocar por terra a credibilidade de todos os gráficos que a imprensa costuma despejar sobre a sociedade nos períodos eleitorais. Como se sabe, as pesquisas não apenas alimentam o noticiário – elas são instrumento fundamental para as táticas de campanha e podem influenciar parcelas importantes do eleitorado.

A suspeita de que os institutos não conferem nem 20% dos questionários, se foram mesmo submetidos a eleitores ou preenchidos pelos próprios pesquisadores, representa a desmoralização total.

Saudades do império
Em meio à falta de notícias, talvez o melhor da política esteja no outro lado da mídia, o lado do entretenimento. No capítulo 78 da novela Império, da TV Globo, que foi ao ar no sábado (18), a personagem Maria Marta Medeiros, vilã simpática vivida pela atriz Lília Cabral, critica o marido por oferecer champanhe a um casal de classe média: “Mas que desperdício; essa gente gosta de cervejinha, de cachacinha, no máximo, no máximo gosta de caipirinha de vodca, e na laje”, protesta a personagem. “É a classe operária invadindo o paraíso”, diz seu interlocutor. “São os novos tempos, Marta.” “Pois eu prefiro os velhos tempos; aliás, os velhíssimos tempos, os tempos da monarquia; o império”, responde a empresária.

A cena poderia ilustrar a reportagem de capa da revista Época. O contexto é a radicalização que tomou conta da campanha eleitoral: “A eleição do vale-tudo”, diz o título principal do semanário. No conjunto dos textos, destaque para relato sobre a exploração, por parte dos candidatos, de uma divisão que se consolida a cada eleição, marcando a sociedade brasileira como um bloco rachado em dois – de um lado, as classes médias tradicionais; do outro, as classes ascendentes.

A revista do Grupo Globo toma como ponto de partida um desentendimento em família provocado por divergências políticas, e tenta consolidar o argumento segundo o qual os debates políticos se transformaram em briga de rua. Nesse cenário, o problema seria agravado pelo “discurso empobrecido das redes sociais” e estimulado pelos recentes entreveros que baixaram o nível dos confrontos entre os candidatos à Presidência da República.

A revista omite a responsabilidade da imprensa na construção desse clima beligerante, com a publicação periódica de textos ofensivos ao governo federal e seus integrantes. Apenas cinco páginas antes da pretensa “lição de moral” sobre a falta de decoro nos debates políticos, a revista oferece aos leitores um exemplar do texto rastaquera de um de seus colunistas pitbulls.

A imprensa dissimula, mas também prefere os velhos tempos. A imprensa sonha com a volta do império.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Ainda a TV Globo, sim, ela...

Globo: o escorpião da democracia brasileira, 

por Alberto Kopittke


Sugestão de Assis Ribeiro
do Sul 21

Globo: o escorpião da democracia brasileira (por Alberto Kopittke)

Conta uma conhecida fábula, ao ser salvo de um incêndio o escorpião picou o sapo que o carregava nas costas até a outra margem do rio. O sapo atordoado só teve tempo de perguntar por que o escorpião o atacara ao que o escorpião respondeu: é o meu instinto.

Não há nada de novo na ​atuação da Rede Globo ​nessas ​eleições. A fórmula repete a atuação que o grupo de comunicações teve em 54, 64, 85, 89, 2002, 2006, 2010 e 2012​​.​​ A tentação autoritária de manipular a informação, em prol dos interesses dos conglomerados da comunicação, até hoje sempre falou mais alto do que qualquer código de ética.

Já faz parte de uma espécie de Padrão Globo de desestabilização da democracia, com o qual o Brasil convive há mais de 60 anos. Entre os meios para tal efeito, o Jornal Nacional pode ser comparado ao instinto incontrolável do escorpião.

Para compreender melhor esta analogia, apresento uma linha do tempo com os fatos marcantes que demonstram a participação nada imparcial da Rede Globo nas decisões políticas do país desde a década de 50.

Década de 50
Em 1954, o jovem Roberto Marinho, então proprietário da Rádio e do Jornal O Globo se soma a Assis Chateaubriand, proprietário da TV Tupi e da Rede de Diários Associados, a Carlos Lacerda e a segmentos golpistas das Forças Armadas para derrubarem Getúlio Vargas do Poder. Durante 30 dias atacaram incessantemente Vargas, afirmando que o Brasil estava enterrado num mar de lama, até conseguirem o golpe militar que levou Getúlio ao suicídio(1).

Década de 60 – 70
Em 1964, as Organizações Globo lideraram uma campanha pela derrubada do governo de João Goulart, eleito democraticamente, afirmando que o país estava à beira do Comunismo. Em diversos editoriais, Marinho conclamava o golpe e fez um dos mais famosos artigos no dia 01 de abril, comemorando a derrubada do Regime Democrático.(2)

Documentos secretos do Governo americano, recentemente publicados, mostram que ao longo de todo o regime, Marinho foi o principal articulador da continuidade e do endurecimento do regime, atuando diretamente com o embaixador dos EUA, inclusive contra o Ditador Castelo Branco.(3)

Década de 80
Todo esse apoio fez Marinho ser reconhecido como o “mais fiel e constante aliado” pelos dirigentes da Ditadura. Ao final de 20 anos de Ditadura a fortuna da família Marinho ultrapassava os R$ 52 bilhões, angariando dezenas de concessões de rádio e TV em todo o país.(4)

Em 1984, a Rede Globo foi a última emissora nacional a noticiar os Comícios das Diretas Já. A primeira veiculação ocorreu em 25 de janeiro, quando milhares de pessoas estavam na Praça da Sé, mas o Comício foi noticiado como parte das comemorações dos 430 anos da cidade de São Paulo, epor determinação de Marinho, como já relatou o então vice-presidente do Grupo, Boni. (5)

Em 1989, a Rede Globo envidou fortes esforços para eleger Fernando Collor de Mello (dono da TV Gazeta de Alagoas, retransmissora da Globo) especialmente através da manipulação de trechos do último debate entre Collor e Lula, no Jornal Nacional.

Anos 2000
Em 2006, o jornalista encarregado de cobrir as eleições, Luiz Carlos Azenha, denunciou que a ordem era não falar de assuntos de economia, pois estes ajudavam a Lula. Na edição da véspera do primeiro turno, o Jornal Nacional mostrou durante 14 minutos ininterruptos fotos do dinheiro que teria sido usado para comprar um suposto dossiê contra José Serra. Outro jornalista, Rodrigo Vianna, relatou que a direção da emissora barrou reportagens e investigações que envolvessem o PSDB e José Serra. (6)

Em 2010, a emissora lançou sua campanha de aniversário de 45 anos, destacando o número e com um jingle que tinha por refrão “todos queremos mais”, casualmente parecido com o slogan de José Serra, “O Brasil pode mais”. Mas o fato mais notório da cobertura foram as edições do JN que divulgaram que Serra fora “agredido por militantes petistas, passado mal e levado a um hospital”, o que depois foi comprovado ser uma farsa montada após o candidato ser atingido por uma bolinha de papel.
Nas eleições de 2012, em todas as edições do Jornal Nacional durante o 2 turno, a cobertura do julgamento do mensalão teve mais de dez minutos de duração, começando sempre imediatamente após o horário eleitoral.

A mesma receita
Ao longo dos últimos 40 anos, o Jornal Nacional sempre foi o canal por onde a Rede Globo operou suas manipulações da informação. O mais famoso telejornal brasileiro teve um reconhecimento público do mais atroz Ditador brasileiro, Médici, que afirmou em entrevista: “Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranquilizante após um dia de trabalho”.

Além desses feitos, a emissora nunca dispensou atenção sequer assemelhada a casos como a compra de votos na aprovação da Emenda da reeleição de FHC, as diversas denúncias de corrupção bilionária nas privatizações (estimado em R$ 100 bi) o caso Banestado e Ilhas Cayman (R$ 42 bi), dos vampiros da saúde (R$2,4 bi), dos anões do orçamento (R$ 800mi), do Tremsalão tucano (R$ 570 mi), da Sudan (R$ 214 mi), nem do Mensalão tucano de MG, todos ligados a políticos ou governos do PSDB.

No auge das manifestações do ano passado, quando milhares de jovens protestavam em frente a Rede Globo, em São Paulo, contra suas formas de cobertura (o que obviamente nunca foi noticiado), a emissora fez um editorial pedindo desculpas pelo apoio que havia dado ao Regime Militar. Parecia um compromisso de que dali em diante, as novas gerações que controlam a empresa não sucumbiriam mais à tentação de manipular a informação para influenciar a política brasileira.

Mas desculpas à parte, a incapacidade da Rede Globo em realizar coberturas eleitorais de forma imparcial parece estar encravada em seu DNA. Ao invés de assumir publicamente uma posição em prol de determinada candidatura, como é comum nas grandes redes de comunicação dos EUA e da Europa, a Organização disfarça uma pretensa neutralidade e coloca em curso sua obsessão por influenciar as eleições.

​Por isso, quando sentar para assistir o Jornal Nacional, saiba que o instinto do escorpião é incontrolável.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A voz do dono e o dono da voz no Dia Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação

Semana pela Democratização da Mídia faz combate ao 'coronelismo eletrônico'

Controle dos meios de comunicação por parlamentares influencia o resultado eleitoral, segundo Bia Barbosa, do coletivo Intervozes

São Paulo – A Semana pela Democratização da Mídia, organizada pelo Fórum Nacional da Democratização da Comunicação (FNDC) em nove estados, de ontem (13) até sábado, promove debates em universidades, audiências públicas nas assembleias legislativas e a coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática (Plip). Na próxima sexta-feira (17) comemora-se o Dia Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação.

Bia Barbosa, integrante do coletivo de jornalismo Intervozes e militante do fórum, explica à Rádio Brasil Atual que, além de promover atividades sobre a conscientização da necessidade de uma mídia democrática, a mobilização quer acabar com o coronelismo eletrônico. "A gente chama de coronelismo eletrônico o controle de deputados e senadores que detêm os meios de comunicação e através da mídia influenciam e controlam o resultado eleitoral", explica.

Para Bia, durante o período eleitoral, a concentração dos meios de comunicação nas mãos dos interesses privados é "muito grave" para a democracia. "O impacto que esse tipo de tendência, de informação seletiva, em que se fala mais de um ou menos de outro político, tudo isso influencia no resultado eleitoral", afirma. A militante pontua que nossa mídia é controlada por um grupo de famílias e que o impacto da manipulação de informação, para defender interesses políticos durante as eleições, compromete os resultados.

"A diversidade de ideias, vozes e pluralidades culturais acabam não circulando de forma democrática no conjunto dos meios de comunicação de massa, que são controlados por poucos grupos. Quando a gente fala em democratizar, a gente fala em ampliar o número de vozes que podem se expressar", considera.

O FNDM integra entidades sindicais e movimentos sociais e elaborou o Plip, que visa a regulamentar as leis de mídia no país. Para tramitar no Congresso Nacional, o projeto precisa do apoio de 1,3 milhão de assinaturas.

A regulamentação da mídia passa pela adoção de medidas de regulação democrática sobre a estrutura do sistema de comunicações, o combate à monopolização da mídia, a luta pela pluralidade de ideias e opiniões nos meios de comunicação e a promoção da cultura nacional em sua diversidade e pluralidade.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cultura e eleições: o que, aos olhos de um estrangeiro, está em jogo nesta altura

Copyleft

Boaventura de Sousa SantosApoiar a Presidenta Dilma é um ato de celebração da cultura

É imperioso reconhecer que nos últimos 12 anos o Brasil deu um salto qualitativo no aprofundamento e na diversificação das manifestações culturais




O melhor espelho de um país é a sua cultura porque é por via da cultura que somos o que somos. Por via da economia somos apenas o que temos e o que temos pode-nos ser retirado com alguma facilidade em tempos em que dominam os mercados globais e os seus patrões, os barões financeiros. 

A cultura, uma vez cultivada, cola-se à pele do povo e muito dificilmente pode ser retirada. É também o melhor investimento no futuro do país, pois um país cioso da sua cultura e das suas culturas é um país capaz de afirmar a sua identidade e as suas aspirações num mundo interdependente. A cultura é ainda a melhor arma para o aprofundamento da democracia pois cidadãos e cidadãs cultos são menos facilmente manipuláveis, tendem a ser politicamente mais ativos e o seu ativismo tende a ser mais esclarecido.

Se tudo isto é verdade, é imperioso reconhecer que nos últimos 12 anos o Brasil deu um salto qualitativo no aprofundamento e na diversificação da cultura, permitindo novas manifestações e mesmo novas concepções de cultura, novos projetos culturais de novos agentes culturais, grupos sociais até agora silenciados ou marginalizados. Esse salto qualitativo também ocorreu no grau de exigência dos cidadãos em relação à classe política, uma transformação de que esta, em geral , não se deu conta.

Olhando os factos, a transformação cultural do Brasil é extraordinaria durante os governos do PT. O orçamento da Cultura no governo federal saltou de R$ 287 milhões em 2003 para R$ 2,2 bilhões em 2010. E a grande ação implementada nos últimos 12 anos em termos de políticas tem nome: Cultura Viva, o programa, lançado em 2004 pelo então ministro Gilberto Gil, que estabelece e promove uma rede de pontos e "pontões" de cultura espalhados pelo país.

A lógica da política cultural foi invertida: em vez de levar 'alta cultura' à população, o governo atual decidiu dar apoio às iniciativas culturais e populares já em curso, fortalecendo a diversidade sociocultural brasileira. Essa guinada buscou reconhecer e valorizar manifestações e 'identidades' culturais em seus 'territórios'. Por todo o lado que vou no Brasil deparo-me com a presença dessa transformação cultural.

Ainda recentemente tive ocasião de participar nas atividades do Instituto Trocando Ideias, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que desenvolve um desses pontos de cultura. A comunidade indígena pataxó que visitei em Porto Seguro, na Bahia, também tem o seu ponto de cultura. O Cultura Viva ganhou tal projeção que se tornou política de Estado, assegurada por lei. Um outro grande feito do atual governo foi a aprovação e adoção do Marco Civil da Internet (http://culturadigital.br/marcocivil/), que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. Trata-se de uma legislação inovadora no sentido da regulação de um setor sociocultural importantíssimo.

A continuidade desta vibrante política cultural pressupõe a vontade política do governo para a fazer prevalecer perante outras prioridades que sempre se manifestam e muitas vezes com mais poder de influência do que a dos que defendem uma politica cultural atuante, solidária, emancipadora. Não tenhamos ilusões: essa vontade está apenas consolidada e garantida na proposta do governo Dilma.

Por isso a apoio.

sábado, 11 de outubro de 2014

A produção do rumor público é uma irrigação de discursos: quem distribui de que fonte?

Jornalista da Folha conclama colegas a conhecer o Brasil


É tão raro, mas tão raro, encontrar na imprensa alguma referência positiva a programas sociais do governo federal, que levei até um susto quando topei com esse artigo de Vinicius Torres Freire. Na verdade, é difícil encontrar até mesmo alguma referência, positiva ou negativa, aos programas. No entanto, são eles que explicam as vitórias petistas nas últimas disputas presidenciais, com chance de outra em 2014.

Freire revela que, ao fazer uma viagem pelo interior do país, se surpreendeu ao se deparar com programas sociais de qualidade.

O jornalista então lembra que os programas sociais federais vão muito além do bolsa família. Há programas para ajudar no transporte escolar, programas de microcrédito para pequenos empreendedores, financiamento para agricultura familiar, e cursos profissionalizantes, como o Pronatec. Alguns já existiam antes de 2003, mas com valores irrisórios. Foi o PT quem lhes deu escala, em quantidade e qualidade.

O papel de Dilma Rousseff tem sido extremamente importante neste sentido, porque o seu governo, pese todos os inúmeros problemas que enfrenta, ampliou de maneira formidável os investimentos em programas sociais.
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O artigo:
Lá no Brasil invisível
Vinicius Torres Freire, na Folha
08/12/2013 – 02h00

Em uma viagem pelo interior mais pobrezinho do Nordeste, este jornalista deu com uma cena que então parecia meio exótica. Crianças alimentadas, numa barulheira alegre, lotavam um ônibus escolar amarelo como aqueles de filme americano, mas estalando de novo.

De onde saíra aquilo? Na lataria, estava escrito: “Programa Caminho da Escola – Governo Federal”. O jornalista confessa com vergonha que até este ano jamais ouvira falar do “Caminho da Escola”. Além do mais, tende a desconfiar de que alguns desses programas com nomes marqueteiros sejam ficções, que existam apenas naquelas cerimônias cafonas de anúncios oficiais.

O “Caminho da Escola”, porém, financiou quase 26 mil ônibus desde 2009, em mais de 4.700 cidades. Digamos que os ônibus carreguem 40 crianças cada um (deve ser mais). Dá mais de 1 milhão de crianças. Conhecendo a falta de dinheiro e as distâncias das escolas nos fundões do país, isso faz uma diferença enorme.

Daqui do centro rico de São Paulo, o Brasil, esse país longínquo, e muitas ações do governo parecem invisíveis. Quase ninguém “daqui” dá muita bola para programas populares dos governos do PT até que o povo miúdo apareça satisfeito em pesquisas eleitorais.

Juntos, tais programas afetam a vida de dezenas de milhões de pessoas, tanto faz a qualidade dessas políticas, umas melhores, outras nem tanto, embora nenhuma delas seja nem de longe tão ruim quanto a política econômica.

Quem “daqui” conhece o Programa Crescer (Programa Nacional de Microcrédito)? Existia desde 2005, foi reformado por Dilma Rousseff em 2011, quando passou a contar com crédito direcionado e juro baixo, ora negativo (5%, abaixo da inflação).

O Crescer já financiou o negociozinho de 3,5 milhões de pessoas, um terço delas recipientes de Bolsa Família. Tem uma versão rural, mais antiga, mas vitaminada nos governos do PT, o Pronaf, que ofereceu crédito a juro real ainda mais baixo a 2,2 milhões de agricultores pequenos na safra 2012/13.
O Pronatec já é mais falado, mas pouco conhecido (até mesmo pelo governo, que só agora começou a fazer uma avaliação de resultados). Irmão mais novo e em geral grátis do universitário Prouni, trata-se de um conjunto variadíssimo de ações que procura oferecer cursos profissionalizantes e técnicos (ensino médio).

Desde sua criação, foram mais de 5 milhões de matrículas (há evidências esparsas de grande evasão, de uns 20%, mas ainda falta estatística séria). A maioria das vagas é reservada para os mais deserdados dos brasileiros.

Reportagem desta Folha mostrou que os 13 mil médicos do Mais Médicos devem estar ao alcance de cerca de 46 milhões de pessoas no ano que vem. Não é uma política ampla de saúde, está claro. Mas, outra vez, vai resolver muito problema de muita gente deserdada desta terra.

O Minha Casa, Minha Vida já entregou 1,32 milhão de casas; tem mais 1,6 milhão contratadas. Beneficia 4,6 milhões de pessoas.

Junte-se a isso tudo as já manjadas transferências sociais, em dinheiro, crescentes em valor e cobertura. É muita gente “de lá” beneficiada. Goste-se ou não do conjunto da obra, o efeito social e político é enorme.

A gente “daqui” precisa visitar mais o Brasil.


* Vinicius Torres Freire está na Folha desde 1991. Foi secretário de Redação, editor de ‘Dinheiro’, ‘Opinião’, ‘Ciência’, ‘Educação’ e correspondente em Paris. Em sua coluna, aborda temas políticos e econômicos. Escreve de terça a sexta e aos domingos.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Como se faz o rumor público... Quem faz?

As eleições e a mídia

Escrito por: Marcos Coimbra 
Carta Capital 

A influência dos meios de comunicação vai além da produção de noticiário. Eles contratam as pesquisas e organizam os debates

Na próxima terça 19 [19/08/2014], com o início da propaganda eleitoral na televisão e no rádio, entraremos na etapa final da mais longa eleição de nossa história. Começou em 2011 e nossa vida política gira em torno dela desde então.

A batalha da sucessão de Dilma Rousseff foi iniciada quando cessou o curto período de lua de mel com as oposições, no primeiro ano de governo. Talvez em razão do vexame protagonizado por José Serra na campanha, o antipetismo andava em baixa.

Durou pouco. Na entrada de 2012, o clima político deteriorou-se. As oposições perceberam que, se não fizessem nada, marchariam para nova derrota na eleição deste ano. Ao analisar as pesquisas de avaliação do governo e notar que Dilma batia recordes de popularidade a cada mês, notaram ser elevadas as possibilidades de o PT chegar aos 16 anos no poder. E particularmente odiosa. Serem derrotadas outra vez por Dilma doía mais do que perder para Lula.

Ela era "apenas" uma gestora petista, sem a aura mitológica do ex-presidente. Sua primeira eleição podia ser creditada, quase integralmente, à força do mito. Mas a segunda, se viesse, seria a vitória de uma candidatura "normal". Quantas outras poderiam se seguir?

A perspectiva era inaceitável para os adversários do PT. Na sociedade, no sistema político e no empresariado, seus expoentes arregaçaram as mangas para evitá-la. A ponta de lança da reação foi a mídia hegemônica, em especial a Rede Globo.

Recordar é viver. Muitos se esqueceram, outros nem souberam, mas a realidade é que a "grande imprensa" formulou com clareza um projeto de intervenção na vida política nacional.

Não é teoria conspiratória. Quem disse que os "meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste País, já que a oposição está profundamente fragilizada", foi a Associação Nacional de Jornais, por meio de sua presidenta, uma das principais executivas do Grupo Folha. Enunciada em 2010, a frase nunca foi tão verdadeira quanto de 2012 para cá.

Como resultado da atuação da vanguarda midiática oposicionista, estamos há três anos imersos na eleição de 2014. A derrota de Dilma é buscada de todas as formas. O "mensalão"? Joaquim Barbosa? A "festa cívica" do "povo nas ruas"? O "vexame" da Copa do Mundo? A "compra da refinaria"? O "fim do Plano Real"? A "volta da inflação"? O "apagão" na energia? A "crise na economia"? A "desindustrialização"? O "desemprego"?

Nada disso nunca teve verdadeira importância. Tudo foi e continua a ser parte do esforço para diminuir a chance de reeleição da presidenta.

Ou alguém acha que os analistas e comentaristas dessa mídia acreditam, de fato, na cantilena que apregoam quando se vestem de verde-amarelo e se dizem preocupados com a moral pública, os empregos dos trabalhadores ou a renda dos pobres? Ou que queiram fazer "bom jornalismo"?

Temos agora uma ferramenta para elucidar o papel da mídia na eleição. Por iniciativa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, está no ar o manchetômetro, um site que acompanha a cobertura diária da eleição na "grande imprensa": os jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, além do Jornal Nacional da Globo (como se percebe, os organizadores do projeto julgaram desnecessário analisar o "jornalismo" do Grupo Abril).

Lá, vê-se que os três principais candidatos a presidente foram objeto, nesses veículos, de 275 reportagens de capa desde o início de 2014. Aécio Neves, de 38, com 19 favoráveis e 19 desfavoráveis. Tamanha neutralidade equidistante cessa com Dilma: ela foi tratada em 210 textos de capa. Do total, 15 são favoráveis e 195 desfavoráveis. Em outras palavras: 93% de abordagens negativas.

É assim que a população brasileira tem sido servida de informações desde quando começou o ano eleitoral. É isso que faz a mídia para exercer o papel autoassumido de ser a "oposição de fato".

O pior é que a influência dessas empresas ultrapassa o noticiário. Elas contratam as pesquisas eleitorais que desejam e as divulgam quando e como querem. E organizam os debates entre candidatos.

Está mais que na hora de discutir a interferência dessa mídia no processo eleitoral e, por extensão, na democracia brasileira.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Rumor público

Fonte: http://www.manchetometro.com.br/

 

Cobertura Diária

Abaixo estão os gráficos com a cobertura diária, do dia anterior, das capas dos jornais. Visando retratar a intensificação da politização da cobertura às vésperas do primeiro turno da eleição, optamos por agregar sob o rótulo Dilma as codificações Dilma, PT, Governo e Economia; sob o rótulo Marina, as codificações Marina, Eduardo Campos e PSB; e sob o rótulo Aécio, Aécio e PSDB.

Jornal Nacional

ContrárioNeutroAécioDilmaMarina036912

Folha de S. Paulo

ContrárioNeutroAécioDilmaMarina00111

O Globo

ContrárioNeutroAécioDilmaMarina01122

Estado de São Paulo

ContrárioNeutroAécioDilmaMarina01234
Última atualização: 05/10/2014 às 23:00
Data de referência dos jornais: 05/10/2014 || Data de referência do Jornal Nacional: 04/10/201

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Cobertura Semanal

Abaixo estão os gráficos com a cobertura das capas dos jornais dos últimos sete dias. Adotamos a mesma agregação dos códigos usada para a análise diária, acima.

Jornal Nacional

ContrárioNeutroAécioDilmaMarina010203040

Folha de S. Paulo

ContrárioNeutroAécioDilmaMarina035810

O Globo

ContrárioNeutroAécioDilmaMarina05101520

Estado de S. Paulo

ContrárioNeutroAécioDilmaMarina08152330
Última atualização: 05/10/2014 às 23:00
Data de referência da semana: 28/09/2014 - 05/10/2014